terça-feira, fevereiro 22, 2005

Nostalgia...


Acordo pela manhã com um sol radioso a iluminar-me o quarto e a obstruir a minha visão. Olho para o meu relógio de ponteiros para ver as horas, fico embasbacado a ver o SonGoku com efeitos de vermelho, e volto a olhar para desta ver verificar mesmo as horas. São 9:15 e já é quase hora de começar os Moto Ratos. Salto da cama, calço as pantufas em forma de carro dos bombeiros, vou a correr para a sala, encalho no tanque dos GI Joe que havia deixado ontem no corredor, caio, choro, levanto-me, volto a correr, e salto para cima do cadeirão grande. Peço o pequeno-almoço aos gritos para a minha mãe que ta na cozinha, ela diz "“Hã?"” e eu volto a gritar. Passa um minuto e meio e ainda não tenho pequeno-almoço! Mas que demora pá! Dou mais 4 ou 5 gritos, sempre sem levantar o cu do lugar. Chega o pequeno-almoço mas eis que começa os Moto Ratos... O cérebro para... a fome desaparece... a alacridade, juntamente com a ansiedade invade alma e espírito... o coração palpita forte... o suor goteja... o tempo refunde... e tudo passa para os olhos fixados apenas numa única coisa... Na TV... Depois de muitos minutos de pura adrenalina, olho pró pequeno-almoço e aparentava já ter esfriado... e claro que a culpa era da minha mãe... e ela lá tinha de o aquecer novamente... Avistava-se uma manhã cansativa. Ficar deitado no sofá até ás 11:30 à espera que desse os power rangers... Chegada então a hora, lá estava eu, preparado para mais um episódio em que o bem triunfaria pelo mal só para variar. Depois de mais uma fenomenal vitória, preparo-me para ir para o banho, mas... o BBC Vida Selvagem hoje era sobre tubarões e então o sofá atacou-me pelas costas e fiquei lá sentado até à 13:00. Fui então almoçar...
Acabo de almoçar ás 14.30. Dia de tarde livre. Clima húmido... um dia perfeito para passar a tarde a jogar "“xpita"” ou "ó carolo"... Depois de uma série de vitórias e derrotas, nada como ir até “à du kim”. Passar o resto da tarde no relax, a dizer asneira com o pessoal, a cantar músicas parvas, a observar as “entidades superiores” que desfilavam nas ruas... Enfim... Ficar na terra-do-faz-nenhum até ás 20:00...
Por volta das 20:10 chego a casa. Dar banho quente. Jantar. Ver um bocado das notícias. Ver uma série parva tipo “conversa da treta” e rir-me sozinho com a TV...
São precisamente 21:10... Já anoiteceu... e aqui estou eu... sentado no pc... onde provavelmente vou ficar até ás 2:00 ou 3:00 da manhã... a ouvir Snot... e escrevendo... escrevendo recordações daqueles tempos que deviam de ser eternos... e pensando... "Como tenho saudades de ser criança..."

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Mortificados pelo sistema


Floresce a aurora
Vento corrente
Sociedade Consumista
É o que agente sente

Melancolia banal
Fome, Peste e Guerra
Um mundo canibal
É a nossa Terra

Lutando contra o presente
No passado perduro
“"Vai tudo ser diferente!"”
Mas teremos nós futuro?

Porcos, gatunos, fascistas
Viva a democracia e a corrupção!
Um Portugal ás direitas
Degradados até à putrefacção

Somos nós o futuro duma nação?
Uma juventude alienada?
Isto é uma infecção
Vamos começar do nada...

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

A profecia da existência


Percorrendo as linhas deste destino ensanguentado, aqui me encontro. Linhas cada vez mais tortas se avistam, mas debato-me contra o destino que recuso a acreditar que é o meu. Encarando Caeiro e adoptando Einstein, sigo em frente nesta longa estrada chamada vida, enfrentando e enterrando todos os meus obstáculos. Levantei-me uma última e derradeira vez para combater por ti vida e voltar as costas ao destino que me foi traçado. Não são as nossas características que nos tornam o que somos mas sim as nossas opções e eu optei por mudar a linha da vida. Devemos lutar não pelo que devemos ter mas sim pelo que queremos ter, porque a vida é só uma... esta e mais nenhuma...

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

Aqui estou só


Aqui estou só
Mais uma vez no escuro
Magoado, deprimido, desprezado
Só e abandonado
É a magoa que me consome o sangue
É o amor que me corrói o coração
Para quê amar sem receber amor?
Para quê amar sem ser amado?
Para quê existir quando não existo?
Para quê ser quem não sou?
É assim que eu me sinto...

A falta que uma luz fazia
Uma luz quente
Uma luz que me iluminasse o caminho
Uma luz que me aquecesse a alma
Que dor meu Deus
Como me odeio
Para que plantar sem colher?
Para quê mudar sem ver mudanças?
Para quê lutar sem poder ganhar?
Para quê dar o que não tenho?
Esta merda nunca mais tem fim...

Aqui estou só...
Só e abandonado...

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Dor na alma...


As palavras custam a sair... Este vai ser seriamente o pior texto que eu escrevi na minha vida... Nem me vêm à cabeça palavras... apenas me vem a cabeça imagens... imagens do que em tempos foi bom e agora é o maior dos meus sofrimentos... imagens do que tive... imagens do que tive e do que nunca tive... imagens do que nunca tive e do que nunca vou ter... compaixão... só queria compaixão... tenho compaixão de amigos... é assim tão difícil ter compaixão de alguém mais que isso? Dói-me o coração... Sinto um aperto na alma... um aperto bem fundo... dói-me cada vez que respiro... dói-me o peito... dói-me fazer força para não chorar... Eu não quero chorar... mas é tão forte... é como que se a mágoa de uma vida inteira se abatesse sobre mim agora... perdi tudo... perdi todas as esperanças... o que fiz eu para merecer isto? Além de ser mau... este é possivelmente o texto mais pequeno que tenho publicado... Levaria aqui a noite a escrever... Mas dói muito... Os olhos turvam... Dói cada vez que respiro... Não respirar será a solução?

O oco da mágoa


Eu acordei.
O céu estava azul. Mas não era um azul qualquer. Era um azul prazenteiro... um azul quase que galhofeiro... aquele mesmo azul padrão que o mar da Culatra apresenta quando cruzado pelos últimos raios de sol da tardinha... aquele mesmo azul que emana do céu puro e límpido da alvorada em meados de Novembro... Sim... era esse mesmo azul...
O chão era castanho. Mas não era um castanho qualquer. Era um castanho impetuoso... um castanho cheio de vida... aquele castanho que a areia da praia tem depois de banhada pela vazante... aquele castanho quase que dourado que a areia dos regatos tem quando os pássaros migram... Sim... era esse mesmo castanho...
A vida sorria-me. Parecia que tinha acabado aquele tormento; Parecia que já não fazia frio lá fora; Parecia que os pássaros tinham voltado para o sul; Parecia que as chagas dos joelhos de tanto baquear estavam finalmente curadas; Apetecia-me gritar na euforia e exaltação de todo o meu ser "Eu estou feliz!"
Eu caí.
O céu estava negro. Mas não era um negro qualquer. Era um negro desengraçado... um negro quase que terrífico... aquele mesmo negro que apresenta aquelas noites fleumáticas... aquele mesmo negro que emana da veste de luto quando falece o ente para nós mais predilecto da família... Sim... era esse mesmo negro...
O chão era cinza. Mas não era um cinza qualquer. Era um cinza difundido... um cinza horrivelmente confuso... aquele mesmo cinza que a terra do campo tem depois de ter ardido toda a zona verde da vila... aquele cinza que tem o terreno crestado resguardado de defuntos depois de uma ofensiva bélica... Sim... era esse mesmo cinza...
A vida troçava de mim. Parecia que tudo estava escuro de repente; Parecia que tudo tinha sido engolido num vortex afectuoso; Parecia que não caminhava uma única alma emancipada daquela glacial escuridão que abatia; Parecia que fazia frio lá fora; E... apetecia-me gritar no maior desgosto e mágoa "Eu quero morrer!"
E eu... eu...