sábado, dezembro 15, 2007

O Argumento


Era uma vez seis alunos que frequentavam o último ano de um curso de COZINHA, de uma certa Escola de Hotelaria. Os alunos, muito interessados no seu curso, souberam de um congresso de COZINHA que iria realizar-se em Portugal, com a presença de figuras célebres e importantes do mundo da COZINHA, não só de Portugal, mas também do estrangeiro.
Estes jovens, ansiosos por participar do congresso, depararam-se então com um problema. O evento realizar-se-ia em período de aulas. Mas tendo em conta que o congresso era o mais importante (único) evento de COZINHA do país e eles frequentavam o curso de COZINHA, pensaram que poderiam justificar as faltas sem problema algum.
Decidiram então falar com o Sr. Director da escola, a respeito do evento e da possibilidade de justificar as faltas. E assim foi. Depois de explicada a situação, o Sr. Director disse-lhes algo que mudaria completamente o rumo das suas vidas. Respondendo de forma culta e usufruindo de um poder argumental muito bem estruturado, o Sr. Director utiliza aquele que entraria para os anais da História como o argumento mais complexo e perfeito de todos os tempos; aquele que viria a ser classificado pela revista Times como o argumento mais influente dos últimos 50.000 anos; o argumento que segundo consta nas obras literárias diz “Imaginem lá agora, que todos os alunos de COZINHA, decidiam ir ao Congresso Nacional de COZINHA.”
Naquele dia fez-se História. Os jovens depararam-se com um argumento de um poder que ultrapassava o sobrenatural; um argumento que fraccionava mentes e elevava espíritos; um argumento imbatível sem qualquer contra-resposta à altura.
Os alunos do curso de COZINHA, não mais puseram em questão o facto de receberem faltas por participar do único evento de COZINHA realizado no país.
“Imaginem lá agora…” – O argumento que nunca se deve usar em vão… Perigoso… e perfeito.

sábado, dezembro 08, 2007

Insónia



Só. Sozinho. Sinto-me só.
Calo-me. Escuto. Oiço.
Não. Não oiço. Silêncio.
Um arrastar arrastado
E longo e demorado. Mete dó.
Sinto qualquer coisa. Coço.
Nada. Só o que vivencio
Calado. É tudo o que recordo.


Está escuro e preto. Estou apagado.
Não vejo. Ainda estou acordado.
Só. É como estou. É como sou.
Sou? Talvez seja. Mas estou
Acordado e enjoado e enfadado
De ser eu. Não quero estar
Tão esperto e desperto. Azar,
É mesmo assim que sou.

terça-feira, junho 05, 2007

Quando o teu mundo desabar


Quando o teu mundo desabar
Destruído, sem deixar rastos
É a altura certa para acreditar
Sem nunca cruzar os braços

Criam-se ilusões
Apagam-se momentos
Vivem-se desilusões
Abafam-se os sentimentos

Mas quanto mais eu grito
Maior é a vontade de gritar
Mas eu não desisto
Ainda hei-de conquistar

A minha vida…

Chega de desculpas
Agora é a altura de agir
Merda para as escusas
O que eu quero é sentir

A minha vida…

Ódio, Veneno, Amor
Sei lá o que me corre nas veias
É Alegria, é Sangue, é Dor
É algo que não devaneias

É no momento em que o teu mundo desabar
Quando destruído; sem traços
Que não podes deixar de acreditar
Que nunca cruzarás os braços

Porque quanto mais eu grito
Maior é a vontade de gritar
Porque eu não desisto
Porque eu ainda hei-de conquistar

A minha vida…